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FUNÂMBULO

por Lazy Cat, em 24.10.07

 

 

É assim...entre outras coisas apanhamos as expressões que ouvimos diáriamente e incluimo-las no nosso vocabulário e quando damos por isso estamos a escrever um texto que começa por ...”é assim”. Mas, de facto, é assim. Viver é caminhar sobre uma corda bamba, procurando o equilibrio a cada instante.

 

Começamos por dar passos. Pequenos e hesitantes. Vamos, a pouco e pouco, ganhando confiança. Em nós e nos outros. E assim vamos

progredindo, ou pensando que sim, e ao dar o próximo passo por pouco não caímos.

 

(Porque achávamos que que sabíamos onde pôr os pés e nos descuidamos do nosso objectivo principal. Atravessar a corda, sem saber sequer o que nos espera do outro lado, e sem grandes pressas de lá chegar.)

 

Ironia do destino. Precisamente quando achamos que sabemos o que estamos a fazer, que traçámos um destino e nada nos vai demover, a corda abana, faz-nos tremer, perdemos o ritmo, o sentido do nosso destino, o mundo abre a boca e prepara-se para nos comer.

 

Lá tentamos continuar. Entre os apupos e os apalusos. Entre os dias negros e os dias de sal, entre os dias que nunca mais acabam e os que nem deviam começar. Entre tudo o que queremos, nos pedem, desejamos, esquecemos, ouvimos, omitimos e, lentamente, a passos curtos e hesitantes, por vezes conseguimos.

 

(Entre os que nos gritam palavras de apoio e os que ficam calados, apenas à espera de nos ver cair ao chão e por lá ficar.  Acontece, que, é lá que eles estão. Engraçado. Se a vida é um longo passeio de corda bamba, que fazem eles no chão? Ah, pois é! São os que já caíram.)

 

Palhaços da vida, trapezistas, equilibristas, vendedores de ilusões e sensações a um mundo de gente caída. Apesar de tudo, ainda no ar. Apesar de todos, ainda a caminhar.

 

Apesar da vida, e da corda que ela manobra sabiamente para nos fazer vacilar. Apesar de por vezes, se viver com pesar.

 

Gosto de viver na corda bamba

A ritmo de jazz de blues e de samba

A desejo de ternura e de beijos

A cores de mágoas e desenganos

A luz de palavras, amargas e sábias

Ao sabor dos sentidos, dos amigos

Ao calor da chuva ao cheiro do vento

Entre segredos e portentos

 

Gosto de viver na corda bamba

Das arrelias, das tropelias,

Das mágoas que se curam em abraços

Das pequenas pausas entre passos

Dos sorrisos carregados de magia.

Das lutas e das vitórias

Das palavras carregadas de memórias

Entre as estórias e a história.

 

Gosto de viver na corda bamba

E se esta vida é um circo

Entre trapézio e trampolim,

Entre palhaços e leões

Entre o arranhar e rugir das feras

Entre os intervalos e as esperas

Entre o domador e o ilusionsita,

que entra sem pressas nas pista,

que enche a vida de brilho,

entre saxofones e violinos

Que faz com que tudo aconteça

Escolho ser funâmbulo,

Obrigar a levantar cabeças

Ainda que vacile e tropece

Ainda que hesite e recomece

Não troco por um segundo

Um caminho periclitante,

Por um marasmo seguro. 

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Um funâmbulo é um sonhador
sabe sempre que pode cair
veste-se de luz e de cor
afasta o receio, mas caminha a sorrir
tem sempre mais e mais a descobrir

No alto sente apenas a magia
Aprecia a imensidão das alturas
Vive a vida como se fosse o último dia
esquece todas, todas as amarguras
esquece até as quedas mais duras

Equilibrista de tempestades
caminhante de espaços sonhados
finge que falha e sem vaidades
quando falha esquece os entraves
e volta ao ritmo em passos dançados

Acrobatas, Malabaristas
Equlibristas, Palhaços
Domadores, Trapezistas
Na vida Ilusionistas
de quimeras e cansaços

Não troco por um segundo
uma vida sem surpresas
mesmo no declive profundo
nas ruínas do meu mundo
prefiro sempre as incertezas

Ki, nos Ronrons...


 

publicado às 00:26


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