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Noche de San Juan

por Lazy Cat, em 05.01.08

 

 

 

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Entrou com passos lentos. O escuro interior contrastava com a luminosidade das ruas, apesar de começar a entardecer e sentia-se um ar fresco, ainda que carregado de fumo de tabaco e algo que não identificava. Aos poucos foi descortinando o tablao, no canto mais afastado da sala, iluminado por um foco único. Ouviam-se respirações pesadas e sentia-se expectativa no ar. A tensão. Era esse o cheiro que se misturava com o do tabaco.

 

Três cadeiras na parte posterior, apenas visíveis, na penumbra criada pelo foco. Um silêncio quase sepulcral, não fossem os suspiros saídos da alma de alguns presentes.

Alguém lhe tocou levemente no braço e murmurou:

 

 – Vamos señorita, siente-se por favor. Ahora mismo la sirvo, que va a empezar.

 

Sentou-se na mesa que lhe indicaram, de olhos fixos naquele palco que lhe pareceu pequeno, apesar de não lhe ver o fim, e tentou descobrir a sala, sem conseguir, de tal forma estava escuro e se adensava o fumo.

 

Procurou com o olhar o rapazito que lhe tinha indicado esta taberna, mas a porta já estava fechada. Provavelmente nem tinha chegado a entrar, tendo-se retirado para angariar novos clientes uma vez seguro de que ela ia ficar. Perdeu-se a rever aqueles olhos escuros, que davam ao rapaz um ar de velho, se bem que não devia ter mais de catorze ou quinze anos. Abordara-a ao longo do rio, enquanto ela vagueava, perdida em memórias de uma vida que lhe parecia distante.

 

- Señorita, si quiere la llevo al lugar mas mágico de la ciudad. Se le soltarán las lágrimas que le inundan el alma Señorita.

 

Começou por dizer que não, mas ele insistiu.

 

- Deje-me que sea la voz de su destino, Señoria. La llevo de la mano, no es lejos. Es una noche ritual, en que se encuentran la luna y el sol, el cielo y la tierra, y se revelan las respuestas a todas las preguntas.

 

A mão dele era macia, a pele escura de cigano. Nem se tinha apercebido. A sua própria cor não era muito diferente, talvez fosse por isso.  Ainda meio perdida em pensamentos, deixou que a levasse com passo leve e em silêncio até à porta. Uma porta banal, como tantas outras, perdida numa viela banal. Nem letreiro nem qualquer outro tipo de aviso ou informação. Retesou-se brevemente, mas ele abriu a porta e com um sorriso mandou-a entrar.

 

- No dude en encontrar-se con su suerte.

 

Talvez noutras circunstâncias tivesse recusado entrar, talvez noutro momento, talvez…

 

Envolveu-a um silêncio ensurdecedor. Entraram três figuras indistintas para aquele palco rústico de madeira, sentaram-se. E começaram a tocar…

 

 

  

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E porque com o novo ano se perderam algumas coisas, eu não peço mas intimo

a Ki, o Carlos Lopes, o Lobo e a Viajante a dar um desfecho a esta história….e a pubicá-la no  domingo às 22H.

publicado às 02:00


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