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Loucura

por Lazy Cat, em 11.09.07
Ainda que caiam chuvas e lavem o caminho com torrentes de água escura, ainda que o sol queime tudo, deixando apenas um quadro negro de amargura, ainda que passem pragas e calamidades e que a natureza tudo destrua, saberei guiar-me, de dia pelas nuvens, de noite pela lua, para chegar a ti. Saberei sempre encontrar-te, ainda que tudo te esconda, ainda que grite o teu nome e ninguém me responda, ainda que todos me gritem que não és para mim, que fugiste, partiste, que nunca quiseste o que senti, ainda que tudo se desfaça, sinta a ausência como uma faca. Porque sei, com esta certeza que não se explica, que tudo o que sinto tem em ti uma réplica, que não te quero em vão, que este amor tem uma razão, que embala a dor devagarinho, a transforma em azevinho, coroado de espinhos mas belo, onde vale mais picar-se que perdê-lo.
E assim te mantenho, fechado no coração, como tenho os espinhos enterrados na mão, mas nem assim os largo, nem assim te deixo, porque se abrir a mão sou eu que me perco. Sou eu quem se dilui, anil em água azul, se tiver que deixar ir este amor com sabor a sul, por não saber ouvir tudo o que dizes antes de partir, tudo o que dizes quando estás longe, tudo o que sinto quando te abraço, se tiver que puxar a ponta e desfazer o laço. Se entre os sons do mundo, deixar de ouvir o teu grito mudo, que me envolve como chama, me aquece e me reclama, se deixar de banhar-me no teu olhar e adormecer a cantar, porque ouço a tua música, e só eu conheço a letra de tudo o que compões, porque cada uma das tuas notas é tocada para dois, se tiver que fechar os olhos e o coração, se tiver que dar ao resto do mundo razão, perdendo-me da minha, se um dia tiver que me calar, ou cantar apenas em surdina, perder-me-ei, sem dúvida, pelas encostas ou pelas ravinas, não porque ouça o resto do mundo a gritar... Perder-me-ei, sempre, invariávelmente, apenas, quando deixares de tocar. Quando a voz do teu amor se extinguir, quando o seu fio já não me guiar. E ainda que a natureza me perca, ainda que a tua voz se cale, ainda que pise um caminho de amargura, saberei encontrar-te, meu amor, porque és o meu destino, o meu caminho tudo o que foi e há-de ser, o que vivi e tenho por viver, és a minha maior aventura, a maior certeza, a melhor loucura. Para sempre. Sem cura.

Le llamaban loca * Mocedades
Outra vez * Maria Bêthania
Outra vez * Roberto Carlos

publicado às 23:47


21 comentários

De Sonhador de Alpendre a 18.09.2007 às 00:00

Que belissimo texto...lido em voz alta é poesia e da melhor... Aonde andaste tu gata escondendo de todos estas coisas bonitas que fazes com as palavras...

sonhos loucos

De gata a 13.09.2007 às 13:12

Alexandre, surpreender alguém como tu é bom!
Quanto a música...também gosto muito de Mocedades. Por que a letra conta... beijinhos.

De gata a 13.09.2007 às 13:10

Ki

Miaaauuu, também para ti!

E hoje um beijo, só!

De gata a 13.09.2007 às 13:05

Mimo-te, ainda estou toda lambuzada.....Obrigada

De gata a 13.09.2007 às 13:04

Barão, agradeço a visita!

De gata a 13.09.2007 às 13:04

Poeta, vagabundo.....fazem parte um do outro como a noite faz parte do dia.
Beijos de gata.

De Alexandre a 12.09.2007 às 23:26

Li o teu texto como se fosse um poema e soou-me lindamente - cada palavra, cada expressão, com um significado fantástico!!!

E surpreendeste-me mais uma vez - Mocedades - que pena que quase ninguém saiba quem são!!! Representantes da Espanha no Eurofestival de 1973 com a canção «Eres tu» (um hino autêntico!), para mim um dos melhores grupos vindos do país vizinho.

Quanto a Bethânia e Roberto Carlos nem vale a pena dizer - fui ver o Roberto Carlos as duas vezes em que ele esteve no pavilhão Atlântico e uma delas sozinho pois ninguém quis ir comigo ver «O Rei», o autêntico REI!!!

Muitos beijinhos pelo texto e pelo teu bom gosto!!!

De KI a 12.09.2007 às 23:22

Esta música sabe -me a doce... doces sixteen...

O texto respira-se... eu explico: inspirar e começas a ler, lês tudinho tudinho e no fim...não, não expiras ...suspiras...

Ai como eu podia ter escrito estas palavras.

Excelente forma de transpor memórias, sentires...quereres... esperanças...devaneios..


Beijos Gata =^.^= ( Miauuuuu!!)

De MIMO-TE a 12.09.2007 às 18:23

Dá um saltinho ao meu glob, tenho um doce para ti,

De Barão Van Blogh a 12.09.2007 às 18:20

Venho agradecer a visita e, deixo estas três linhas do novo poema , que dedico a todas as mulheres , e o nós homens que as amamos .

"Em fragrância na água cristalina
Gotículas salpicam-na maravilhadas
O sensual corpo de mulher menina"

Continuação de boa semana .

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