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Falarei, sim.

por Lazy Cat, em 06.11.12

Falarei, então, de amor. Não que de Amor ou do Amor ou amor saiba mais que qualquer outro. Apenas porque alguém, terei sido eu, assim decidiu. Falarei então de amor. Amor? Ouvi recentemente, até parece que nunca tinha ouvido nada semelhante antes, fazer uma distinção -uma grande distinção - entre amor e paixão ou o amor e o amor apaixonado.

Ouvi, recentemente neste caso, dizer que o amor apaixonado é fútil e egoísta. Que o amor maduro é calmo, sereno e que já não requer a presença do outro, não é cioso da presença física do outro como o amor-paixão. Aquilo que eu entendo disto, sabendo o quanto posso estar a ser impulsiva e irreflectida, por não dizer imatura, é que o amor-paixão é uma coisa de gente nova e fogosa e o amor sereno algo de gente de certa maneira, acomodada. Sim, eu sei. Muito boa gente terá o que dizer a este respeito e, eu própria poderei pensar um dia que todo este texto não passa de um disparate (atrevo-me a dizer que isto demonstra alguma reflexão, ainda que brevemente fugaz) mas, hoje, agora, do alto dos meus quarenta anos, digo que o amor sem paixão, seja ela de que tipo for, jamais me satisfará.

Sim, sim, pode ser que um dia pague um preço  bem alto por ter escrito isto. Pode até ser que todas as letras que um dia juntei para formar palavras tenham um preço qualquer num futuro hipotético ou num presente próximo. Pode ser. Pois pode.

Posso até, voltando ao nosso assunto, ao meu assunto, aos meus amores (ah ah ah) valorizar a cada idade ou cada etapa coisas de que antes nem me apercebia. Posso chegar ao ponto em que no global da minha vida escolha dos “trilhiões” de coisas que me eram imprescindíveis à felicidade e atrás das quais despendia mais energia do que conseguia ter, apenas as tais cinco, uma vez que nem dez será possível ter com qualidade e, pode até ser que escolha as cinco que me será mais fácil ter. Atenção, nada de enganos: as cinco que me satisfarão mormente com o menor “esforço”. Sei de quem entenda isto na perfeição. Sei de quem jamais chegará sequer a ter a menor ideia daquilo a que me refiro. Whatever! Sei que jamais quererei ao meu lado alguém por quem não me apaixone de novo todos os dias - pronto, como a idade não perdoa, segundo dizem – todas as semanas! Se não houver nesse alguém aquela centelha que faz com que perceba aquilo que escrevo, na sua essência e não na rima poética, muitas vezes “ajeitada”, se não houver nesse alguém a doçura do toque, o carinho dos gestos, se não houver nesse alguém o cuidado no trato, a sede de saber, o saber de partilhar e um apetite insaciável de vida, se não for esse alguém quem eu possa admirar e respeitar, poderei apaixonar-me? ainda assim? Claro que posso! Por minutos, horas, quem sabe por dias. Como me apaixono loucamente por uma ideia, uma cor, uma frase que esqueço ou descarto ao virar da esquina. Poderei loucamente desejar essa companhia, poderei comportar-me como uma adolescente (perdoem-me os “teen”) idiota…se bem que há para quem ser-se idiota seja algo quase…quase sublime, de certa maneira. Há uma maneira única e brilhante de se ser idiota. Mais uma vez, não é para todos. Pois. Que arrogância! Será que isto também se perde? Seja como for, e é assim que eu sou, dispersei-me. Again. Voltemos ao Amor.

Não creio, não acredito e já não é a primeira vez que penso nisto, que o amor se possa separar da paixão. Oh sim, há estádios diferentes. Oh sim, há patamares. Sim, deve haver. Ai que me perco e me disperso como se de uma (inteligente e boa) conversa se tratasse!  Eu disse que falaria de Amor. Ou amor. Em boa verdade, falar de amor é falar de afectos. Falar de afectos é falar de amores. Haja mais ou menos paixão, sem paixão não há amor. Há carinho? Sim. Há afecto? Sim. Há muito tipos de amor que se passam da paixão e são ainda assim completos, inteiros e muitas vezes, incondicionais. Mas não o amor-romântico. Não na minha maneira de o viver. Se alguém se dispõe a entrar na minha vida e fazer parte do caminho comigo, hoje, como há vinte anos atrás, considero que deve ser a tempo inteiro. Que se da paixão fulgurante do primeiro dia nada resta ao terceiro, mais me vale seguir caminho. Ao terceiro dia, ao terceiro ano. Não importa. Importa sim que não concebo o amor como algo sereno. Há sempre para mim, no amor, no Amor, uma sede insaciável. (não digo fome e sei que mesmo assim muitos vão sorrir, outros rir claramente e outros ainda pensar que isto não passa de tretas de gaja esfomeada) Sede. De estar, de ver, de sentir, de partilhar cada acordar, livro, descoberta, cada nova receita, gritos, risos, canções tontas. Praias. Sol. Amigos. Família.

Vontade de adormecer de mão dada, de costas viradas, mas na mesma cama. Saudades quando não se está. Uma alegria tremenda quando se regressa. E falar sem dizer nada…

Sede. Sede de uma vida assente na cumplicidade. Como é que uma vida apaixonada, ainda que possa ser inconstante, se compadece de um amor, Amor, sereno???!!!

Deve ser para outros. Como dizia antes. Para gente acomodada. Deveria ter escrito gente realizada?  

publicado às 18:20


2 comentários

De L. a 08.11.2012 às 19:17

Não, não deverias porque acredito q tenhas razão a 300% embora a maioria das pessoas prefira uma vida que n dê mt trabalho e a q descreves dá! E compensa! Com tudo o que a vida nos exige é mt difícil querer e continuar a querer esse sair de nós para encontrar o outro.

De Lazy Cat a 08.11.2012 às 21:18

Dá, pois dá.

E obriga a parar, contorcer, contornar,ceder, recomeçar. Bater o pé, reajustar o rumo, corrigir a rota.
Pode também dar-se o caso de ter que largar algum lastro...exercer o desapego. Experimentar o travo amargo do verdadeiro sacrifício. Bater a muitas e muitas portas, percorrer muitos e muitos caminhos. Acho que se falta a esta vida, a esta que escolhi e não trocava, alguma coisa, será alguma "paz", alguns dias de piloto automático. Mas também sei que "deixar andar" ainda que teha sido eu a escolher e fixar as coordenadas...não é para mim. Prefiro o prazer de dirigir a minha vida e fazer pequenas ou grandes alterações sem demoras, no impulso daquele momento, daquela cor, daquele cheiro. E no fundo, no fundo não lhe falta grande coisa. Porque aquilo que é relmente importante e verdadeiro, mesmo que não esteja sempre onde eu consigo ver, está lá.

Mas, e isto deve ser da idade, às vezes gostava de experimentar o piloto automático.... :-)

Um dia destes construo um vida serena....

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