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Dá-me a mão...

por Lazy Cat, em 15.02.08

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Dá-me a mão, apenas por um momento,

Deixa que o tempo passe e se faça lento

Deixa que me encoste ao teu calor

Dá-me apenas mais uns minutos de amor

 

A vida lá fora corre veloz

Feita de dor e sofrimento atroz

Abraça-me e deixa-me adormecer

Fechar os olhos e tentar esquecer

 

Dá-me a mão, apenas por um segundo

Deixa que o tempo apague este mundo

Deixa que me afogue em ti

Dá-me força para superar o que vi

 

A vida lá fora não pára quieta

Fez do fim do mundo uma meta

Aconchega-me e deixa-me sonhar

Criar um mundo às cores e brincar

 

Dá-me a tua mão, apenas para sempre

Deixa a porta aberta e que o sol entre

Deixa que a vida seja feita assim

De ternura que te dou e me dás a mim

 

A vida lá fora, cegamente avança

Destrói sem pensar as nossas crianças

Abraça-me e não me deixes ir

Antes que saiba de novo sorrir

 

Dá-me a mão, apenas…para sempre.

 

                                                          

 

NÃO ME MINTAS - Ru...
Letra da música aqui.

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publicado às 02:46

Leitor de brincadeiras

por Lazy Cat, em 24.01.08

 

 

pup tired

 

 

 

Chegaram ao mesmo tempo. Eles na brincadeira, com o cão e as bolas, ele com um livro debaixo do braço. Àquela hora o sol ainda fazia franzir os olhos, ele procurou um banco abrigado, eles um pedaço de relva à sombra.

 

Deixaram as mochilas encostadas a uma árvore, tiraram a trela ao cão. Ele de livro entreaberto nas mãos, hesitava entre contemplar o singelo espectáculo ou embrenhar-se na leitura. Ficou assim, sentado, o livro preso entre os dedos, absorto na contemplação das brincadeiras da criança com a mãe e o cão.

 

Cansada de saltos e correrias, a mãe sentou-se, de costas para ele, encostada a um tronco rugoso. As pernas dobradas entre os braços, parecia observar atentamente as palhaçadas. O pequeno aproximou-se, o cão sempre no encalço.

 

- Boa tarde, minha senhora.

- Boa tarde menino. Precisas de alguma coisa?

- Sim, por acaso até preciso. Sabe dizer-me se podemos nadar no lago?

- Nadar no lago? Não me parece. Mas porquê?

- Queria que o meu cão se refrescasse, e também, molhar os pés.

 

Ele sorria, perante a seriedade do diálogo, entre um pequeno de cinco ou seis anos, muito compenetrado, escondendo o ar de reguila com modos afectados.

 

- Nadar no lago não podes. Mas tens um camaroeiro?

- Não…. Disse o pequeno desapontado

- E tens dinheiro?

- Tenho uma moeda. Porquê?

- Porque se a tua moeda me agradar, vendo-te um camaroeiro e ensino-te a pescar.

- No lago?

- Não, no riacho. Do outro lado da ponte.

 

O miúdo olhou para a ponte de madeira. Do lado de lá brilhava um risco de água fresca, que alimentava o lago do lado de cá. Tirou prontamente a moeda do bolso, resistindo às investidas do cão que pensava sem dúvida tratar-se de qualquer guloseima.

 

- Só tenho esta moeda. Se calhar não chega….

- Essa? Claro que chega, e ainda te dou troco.

 

Tirou da mochila um camaroeiro pequeno e devolveu a moeda ao rapazito.

 

- Agora vou ensinar-te como se faz. Primeiro, descalçam-se os sapatos e as meias.

- Vamos pescar descalços?

- Claro! E de calças arregaçadas! Que diria a tua mãe se chegasses  a casa

com os sapatos encharcados e as calças todas molhadas?!

- Pois… sorriu

 

Descalçaram-se, arrumaram os sapatos e de mãos dadas, seguiram para o riacho. E ele deixou de os ouvir. Ela mostrou-lhe como se apanhavam girinos, e se guardavam num saco, ele tentava em vão que o cão não lhe afugentasse as presas. Com alguma ajuda, encontrou o truque perfeito. Atirar um pão ao cão, que enquanto ia e vinha, o deixava pescar em paz. Depois de ensinada a lição, ela saiu da água e veio na sua direcção.

 

- Já leu o livro todo, ou o livro não presta? Ou somos nós que o desconcentramos?

 

Isto perguntado assim de uma tirada, enquanto devagar desenrolava as calças. Ele soltou uma gargalhada.

 

- Não, por acaso não li. Mas tenciono acabá-lo.

- A este ritmo vai demorar vida e meia!

- Costumo ler mais depressa, quando não aparece quem me distraia.

- Um bom livro absorve-nos, como a terra bebe a água. Não há nada que nos tire de lá.

- Talvez por isso o tenha mantido fechado…

 

- Mãe! O Max comeu a minha pescaria e molhou-me todo!

- Realmente! Estão os dois muito engraçados. Anda, calça os sapatos,

e vamos para casa tomar banho.

 

Entre protestos e salpicos o petiz e o cão lá se prepararam.

 

- Já? Perguntou ele algo desapontado.

- Já, o dever chama. Até amanhã, leitor de brincadeiras.

 

 

 

Deixe o livro em casa e traga umas calças velhas!

 

E desapareceram, de mãos dadas, a cantar uma canção qualquer, de tubarões e baleias.

 

Ele fechou o livro e ficou sentado. A olhar para o riacho, que mansamente entra no lago.

 

 

 

Bob_Sinclair_-_Lov...

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publicado às 00:28

You guess....

por Lazy Cat, em 21.01.08

 

This could be love

This could be something else

This could be nothing

Just emptiness

But if it was love

Right then, right there

Why isn’t it love anymore?

 

 

Porque se soubermos guardar os momentos preciosos, entre sorrisos e leves beijos e não deixarmos que a vida os desfaça entre perguntas e esperanças vãs, teremos sempre amor guardado em memória que foi e é, e nunca deixará de ser.

 

Se deixarmos que um abraço longínquo que nos fazem chegar, seja também uma forma de amar, se nos deitarmos em braços que nos embalam a muitos quilómetros de distância e se deixarmos que assim se conjugue o verbo amar, se soubermos que o tempo manda mais do que nós, e que tudo nos leva, e nem sempre volta atrás…

 

Guardar recordações preciosas de amor é um acto de amor em si, porque naquele segundo, naquele dia, naquela hora, foi amor o que vivi. E isso o tempo não leva, a vida não estraga. Porque o que está gravado em mim, nenhum vento apaga… Ainda que não mais veja os olhos que me sorriram, as mãos que me enlaçaram e os pés que na pista me dirigiram…

 

E guardo assim, desta música, um trecho muito curto sempre em memória. Do filme, a imagem dum lago ao pôr-do-sol. Da época, a descoberta de um outro significado para a palavra ”dirty“ e a sensação de ter crescido       de repente.  

 

 

 

 Bem....se calhar vale a pena dizer que esta é a resposta ao desafio da Xô Dª Xaltitona, AKA Gata Ki, AKA Não sabes com quem te meteste......valerá??

 

***********************************

Guess…

publicado às 20:40

...

por Lazy Cat, em 07.09.07
Tristemente profundo,
Este sentimento de escuro
De queda, de saída
De portas que entalam a vida

Tristemente calado
Este grito sentido a sós,
Este gesto inacabado
Que semeia a vida de nós

Tristemente dormido
Este sonho desfeito
Este bater surdo e rouco
Este roer no meu peito

Ah! Tristemente chorado
Com lágrimas vazias de tudo
Este medo que me agarra,
Gelado e feio, patas de veludo

Tristemente iluminado
O caminho que piso
Entre os olhos velados
E os sinais de aviso

Tristemente sozinho
O grito que agoniza
Numa boca fechada
Pela mão da certeza.

Wind walker

publicado às 23:45


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