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Só tenho um coração

por Lazy Cat, em 22.05.13

 

Só tenho um coração

Não sei se há quem viva com mais

Eu tenho um dentro do peito, que não deixa de bater jamais.

 

Bate porque faz sol lá fora, e o calor me preenche inteira,

Bate porque está quase na hora de chegar a casa, no Inverno,

E aquecer a vida às labaredas soltas da lareira.

 

Bate porque hoje está triste, porque amanhã ri de felicidade,

bate porque está vivo, avança e acredita e resiste, num mundo

onde imperam as mentiras, os enganos, a tristeza e a maldade.

 

Não é grande nem é pequeno e vive de portas abertas, não sei

Se por isso muitas vezes se aflige e se inquieta, mas sei que

dentro de mim bate um coração precioso, capaz de ternura sem

limites e que ama, sente, bate e vibra sempre profundamente! 

 

publicado às 18:17

L.

por Lazy Cat, em 10.02.08

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A velocidade a que o carro engolia a estrada reflectia claramente aquela a que os seus pensamentos se perdiam. Entre cada sacudir de cabeça e tentar afastar o sorriso que lhe pairava diante dos olhos, o carro enchia-se do cheiro dela e todos os seus sentidos, por mais que o quisesse evitar, gritavam o nome dela como ele nunca soubera gritar.

 

Naquela tarde o destino decidira juntá-los, encontraram-se numa passadeira, por acaso. Ela a pé, ele de carro. Ela de regresso a casa, ele a caminho de uma reunião importante, e já atrasado. Por pouco não a atropelava….de cada vez que pensava nisto o seu coração dava um salto. Ela, sorridente e bela, de cabelo solto em cachos, o pé distraidamente fora do passeio, ele, furioso e apressado, quase nem viu o semáforo avariado.

 

- Luísa?!

 

Voltou a olhar. Com certeza o seu cérebro lhe pregava partidas, por estar na cidade dela, só isso. Mas não, era ela sim. De olhar fixo nele, como um alfinete ou uma flecha, feito de mil perguntas e outras tantas promessas. Saiu do carro, sem pensar na fila que lentamente se formava, sem ouvir buzinar, sem ver nada além dela. E prendeu-a carinhosa e demoradamente nos braços, enterrando a cara no seu cabelo, aspirou o cheiro dela, afogou saudades sem apelo.

 

Ela não pronunciou uma palavra, muda de espanto e temor, receosa que agora que o via, todas as suas boas intenções valessem menos que nada.  Mas deu-lhe a mão, e sentou-se no carro, ainda que sem saber bem porquê, sem querer ter certezas de nada. Ele falou, disse ao que vinha, mas que estava muito atrasado, a reunião seria adiada. Ofereceu-lhe um gelado, apesar da fria tarde de Inverno, ela aceitou, calada.

 

Na esplanada frente ao mar, avistavam gaivotas. Num vai e vem constante, numa azáfama permanente de quem vive desocupada. O primeiro beijo foi trocado assim, de caras viradas ao sol, numa esplanada, numa tarde roubada à vida. E as bocas não mais se largaram, dizendo tudo o que escondiam em palavras. E as mãos, entrelaçadas, fizeram juras secretas, aninharam-se uma na outra, e assim ficaram.

 

Mas chegou a hora de fechar a porta, voltar ao carro, rumar a casa, a dela já ao virar da esquina, a dele, tão afastada. Estacionado à beira da praia, beijou-a como quem bebe vida, prendeu-a como quem prende a saudade, como quem abre de novo uma ferida. E deixou-a à porta de casa, de cabelo solto a dançar ao vento, olhos marejados e no entanto, nem um olhar para trás no derradeiro momento.

 

Agarrou nas chaves e despediu-se com um beijo leve. Desceu as escadas, café e jornal, o bom dia de sempre, o pedido habitual, as conversas dos vizinhos, numa manhã normal. Entrou no carro e foi invadido pelo cheiro dela e pela certeza que nunca, por mais que o tempo e a distância pudessem fazer, ele iria esquecer o amor daquela mulher….

 

 

Letra da música aqui.

 

Le Geant De Papier...

publicado às 13:26

Loucura

por Lazy Cat, em 11.09.07
Ainda que caiam chuvas e lavem o caminho com torrentes de água escura, ainda que o sol queime tudo, deixando apenas um quadro negro de amargura, ainda que passem pragas e calamidades e que a natureza tudo destrua, saberei guiar-me, de dia pelas nuvens, de noite pela lua, para chegar a ti. Saberei sempre encontrar-te, ainda que tudo te esconda, ainda que grite o teu nome e ninguém me responda, ainda que todos me gritem que não és para mim, que fugiste, partiste, que nunca quiseste o que senti, ainda que tudo se desfaça, sinta a ausência como uma faca. Porque sei, com esta certeza que não se explica, que tudo o que sinto tem em ti uma réplica, que não te quero em vão, que este amor tem uma razão, que embala a dor devagarinho, a transforma em azevinho, coroado de espinhos mas belo, onde vale mais picar-se que perdê-lo.
E assim te mantenho, fechado no coração, como tenho os espinhos enterrados na mão, mas nem assim os largo, nem assim te deixo, porque se abrir a mão sou eu que me perco. Sou eu quem se dilui, anil em água azul, se tiver que deixar ir este amor com sabor a sul, por não saber ouvir tudo o que dizes antes de partir, tudo o que dizes quando estás longe, tudo o que sinto quando te abraço, se tiver que puxar a ponta e desfazer o laço. Se entre os sons do mundo, deixar de ouvir o teu grito mudo, que me envolve como chama, me aquece e me reclama, se deixar de banhar-me no teu olhar e adormecer a cantar, porque ouço a tua música, e só eu conheço a letra de tudo o que compões, porque cada uma das tuas notas é tocada para dois, se tiver que fechar os olhos e o coração, se tiver que dar ao resto do mundo razão, perdendo-me da minha, se um dia tiver que me calar, ou cantar apenas em surdina, perder-me-ei, sem dúvida, pelas encostas ou pelas ravinas, não porque ouça o resto do mundo a gritar... Perder-me-ei, sempre, invariávelmente, apenas, quando deixares de tocar. Quando a voz do teu amor se extinguir, quando o seu fio já não me guiar. E ainda que a natureza me perca, ainda que a tua voz se cale, ainda que pise um caminho de amargura, saberei encontrar-te, meu amor, porque és o meu destino, o meu caminho tudo o que foi e há-de ser, o que vivi e tenho por viver, és a minha maior aventura, a maior certeza, a melhor loucura. Para sempre. Sem cura.

Le llamaban loca * Mocedades
Outra vez * Maria Bêthania
Outra vez * Roberto Carlos

publicado às 23:47

Amores às Cores

por Lazy Cat, em 12.08.07
Vermelho intenso, ardente
fogo de paixão
Branco, calmo e tranquilo
não inquieta o coração
Amarelo, azedinho
desconfiado sem razão
Verde tenrinho,
quebra por um sim
por um não...
Laranja refrescante
como um mergulho no verão
Castanho, amuado e refilão
Azul, fresquinho
com cheiro de mar e carinho
Negro, sulcado de desejo
insinuante como um beijo
Cinzento, baço e frio
Transparente, vazio, inexistente
Cor-de-rosa...inocente

Amores em degradé, riscados,
novos, esfumados, desgastados,
desbotados, rarefeitos

Únicos, necessários
vividos, sonhados, desejados
repentinos ou desfeitos
perfeitamente, necessáriamente imperfeitos...

publicado às 15:06


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