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Lazy Cat

No meu cérebro vive um caos sinfónico de ideias desordenadas. Num harém simbólico, todas concorrem -APENAS- pelo teu olhar deslumbrado...

Lazy Cat

No meu cérebro vive um caos sinfónico de ideias desordenadas. Num harém simbólico, todas concorrem -APENAS- pelo teu olhar deslumbrado...

Luz

Dezembro 12, 2007

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Em cada letra que a saudade desafia, em cada ausência vazia. Em cada sorriso pintado de azul, cada destino pintado de sol. Procurei-te em pequenos recantos, em segredos escondidos Entre histórias perdidas, desenhos falados de meninos. 

 

Procurei-te em silêncio, em promessas de beijo, em mim. Em cada cenário inventado a sal, regado a brilhos, à luz do sol. Em cada crista de onda que na areia mansamente se deita, em cada arvore que o musgo atrai, em cada folha esquecida, procurei-te nas cores de um Outono que se esvai, entre bruma nas madrugadas e o orvalho da noite que cai.

 

Em cada gesto que imagino, se fecho os olhos e estou contigo, em cada abraço não saboreado, em cada passo não dado, procurei-te assim, no limite de todas as letras que escrevi, num espaço entre luz e sombras. Encontrei-te aqui…

 

CaRtA

Dezembro 09, 2007

Querido Pai Natal

(a Ki diz que quem manda é a Mãe Natal, mas tá bem!)

 

Apercebo-me com pesar que nunca me deste nada. E olha que me esforcei. Escrevi cartas, compus poemas, deixei-te bolinhos e leite na mesa, e apaguei sempre muito bem a lareira. Porque não quero ser injusta, talvez me tenhas deixado um ou outro livro. Mas acho que isso nunca pedi….

 

Este ano, em vez de formular desejos que terminam em livros com títulos apelativos como “Alice no país das Maravilhas”, “Uma Aventura na Televisão” ou “Mais do seu PC” (sobretudo quando ainda não se tem), em vez de te pedir que me dês alguma coisa, vou antes pedir que não me dês nada. É isso. Não quero que me dês nada. Só quero que faças isto:  

 

CORTE GERAL DE ELECTRICIDADE

24 DEZEMBRO 2007 ÁS 00:01 ÀS 23:59 de 25 DEZEMBRO 2007

A NÍVEL MUNDIAL

 

E sabes porquê?

 

Porque não quero partilhar o sofá com extensões de consolas de jogos, ainda que tenham parecenças na forma com seres humanos. Não quero partilhar a comida da mesa com a casa-de-Praia-mais-linda-do-mundo e o Apartamento-mais-estupidamente-caro-de-Lisboa.  Não quero ir à missa do Galo ver desfilar os carros com que eu sonho e que tantos desconhecem, vestidos de Vison e jóias. Não quero. Quero ter companhia. Alguém com quem falar.

 

Quero jogar às sombras chinesas nas paredes, ficar acordada para ver o Pai Natal chegar. Quero prendas que caibam no sapatinho ou até em lugar nenhum, quero presentes que não se podem comprar. Quero tempo. Quero sorrisos. Não quero o pai sentado à mesa e a mãe na cozinha a trabalhar. Não quero luzes que piscam, compradas nos Chineses, com falsas músicas de Natal a tocar. Quero o coro da igreja, não quero um cd a girar.  Não quero telemóveis cheios de teclas e polegares que se doem de tanto lhes carregar.  Quero o bacalhau esperado, as batatas meias cruas, quero o sabor de improvisar.

 

Quero olhos que se procuram, corações que se abrem, mãos que se sabem encontrar. Quero caminhar em carreirinho, fazer fila devagarinho, e ouvir o sino tocar. Quero cantar canções tontas que nos fazem sonhar, fogueiras, portas abertas, que se volte a partilhar. Que se ofereçam momentos, efémeros portentos de um Natal a recordar, em que por horas apenas, entre o escuro que fica lá fora, e a luz que tarda em voltar, todos os homens do mundo, sempre diferentes mas iguais lá no fundo, à falta do que os possa alumiar, olhem para dentro de repente, descubram que são feitos de luz intensa e a deixem brilhar. 

 

Quero que por magia, toda a gente neste dia, se vista de espírito de Natal, e que à luz das estrelas, no deserto, nas cidades, nas aldeias grandes e pequenas haja musica no ar, abraços ao virar da esquina e nem uma diferença para apontar. Quero que por umas horas se esqueçam cores e padrões sociais estruturados, tudo o que sabemos deixe de fazer sentido e todos sejamos, apenas, insignificantes e pequenos, perante a magia de ser-se humano, se não para o mundo, para quem nos está ao lado.

 

Vês Pai Natal, não te peço nada, na verdade…apenas algumas horas de Humanidade…

 

 

 

A|pena|s

Dezembro 08, 2007

- Sabes? Tive saudades tuas.

 

Não via a hora de chegar a casa e poder falar contigo. Hoje aconteceram milhares de coisas no emprego, as chatices de sempre, alguns sorrisos. Dias complicados. Tinha saudades das nossas conversas. Da forma como me recebes. De saber que sorris. Que também me esperavas.

 

- Lembras-te do sol no céu azul? Que saudades!

 

Hoje cheguei cansada. Não me apetece sorrir. Apenas ficar encostada. A lareira nem aquece, acho que para este frio ela não serve. Não sei se haverá fogo que lhe resista, ou se qualquer um se transformaria em frio e desatino. Não quero ouvir música, mas a Tracy Chapman não me sai do ouvido.

 

- Sabes que vou tirar férias?

 

Apetecia-me tirar férias da vida. Apagar alguns passos e reviver alguns abraços. Adormecer em braços de carinho e esquecer o cansaço. Apetecia-me ir à lua e ficar a olhar cá para baixo. Sei, eu sei. Para ir à lua basta fechar os olhos. Não é preciso estar de férias, basta saber sonhar.

 

- Anda, vamos dormir. Prometes que me abraças?

 

 

 

Quero adormecer no teu abraço, sentir-te perto de mim, entregar-te o meu cansaço, enredar-me em laços de ti. Quero entrar em mundo de sonhos, o teu peito na minha cabeça, sentir-te respirar ao meu lado, esperar que adormeças. Quero nesta noite escura e fria, apenas um gesto, e mais nenhum....dedos entrelaçados e cabeças vazias, no tempo do silêncio e do espaço, música de tremor e embaraço e  que sejamos apenas um...

                            ***

Saber |A|mar

Dezembro 07, 2007

 

 

 

 

 

 

 

Saber   amar    sem    amarras

 

Saber   amar   sem   promessas

 

Sem   dias,   sem   horas   certas

 

Saber   amar   em   silêncio

 

Saber   (a)mar   imenso

 

Saber   a   mar,   ilhas   desertas

 

Saber   amar  nas   horas   avessas

 

Em   notas   soltas   de  guitarra

 

 

 

Saber a-mar, essência rara...

. /.

Dezembro 06, 2007

Desenho-te a lápis

a cor e a carvão,

desenho-te a sangue,

a bater de coração.

 

Desenho-te sem rosto

por não saber vê-lo,

apenas um esboço,

imperfeito e pequeno.

 

Desenho em arabescos os dias de ti...

you...

Dezembro 03, 2007

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Há com certeza um lugar certo no mundo

Em que se fecham os olhos e se esquece tudo...

 

 

Há em momentos secretos, suspiros e gestos,

Há receios e sorrisos.

Há luzes que se apagam sobre corpos que se procuram

Há palavras que se calam porque não se sabem dizer, porque se sente, como se respira e não há nada que se diga.

Há abraços que se não dão, mãos que não se prendem, horas que se não têm, pensamentos que não se aprendem.

Há noites de desassossego, entre o querer e o medo.

Há gestos que não fiz e palavras que não direi.

Há perguntas e respostas, que nunca saberei.

Há dedos de carinho como em sonho. Murmurios que se adentram pelo sono.

Há sentir-te, ao meu lado. E saber que sabe bem. Há querer em passo incerto, entre o que se pode e o certo. E tempo que não perco.....

 

Amei-te!

Dezembro 01, 2007

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Estava na hora de arrumar, deixar a casa vazia. Este espaço já não fazia sentido. Entre os livros que ia encaixotando, encontrou um, pequeno, uma recolha de poesia francesa, de capa vermelha aveludada. Prenda dela, sem razão, num despontar de madrugada. Simplesmente deixado em cima da cama com uma nota, "Bom dia.Já fui. Volto terça-feira." Ele não leu. Nunca tinha lido nada oferecido por ela. Nunca, nem uma palavra.
Não é que não sentisse curiosidade por livros, até lia bastante. Mas não suportava as imposições das escolhas dela. Olhou para o livro uma vez e outra, algo o atraía a abrir. Sentou-se no chão, encostando-se à parede, sentiu as costas gelarem com o contacto, um arrepio despertou-o ainda mais quando do livro caiu uma folha, meticulosamente dobrada, como ela costumava fazer com as cartas, quase parecendo um origami.
E soube, no recanto mais profundo da alma, naquele lugar distante onde a dor se senta e se cala, que alguma coisa se tinha perdido. Reviu a chegada dela, o olhar inquisitivo. As poucas palavras. A espera latente. Reviu-a em roupa invernada, cansada, e ainda que constante, diferente. Reviveu o abraço hesitante, os olhos marejados, o abraço contido. A distância imposta por algo que não descobriu. Sentiu cada aresta da parede nas costas, ao ler as primeiras palavras, naquela letra que conhecia de cor, tão simples e elegante e que dizia :
  
 Meu amor.... (amor essa palavra será sempre...de sempre)
 
Não preciso de te dizer todas as vezes que pensei, todas as vezes que pus as cartas na mesa, que revi as dúvidas e as hesitações. Há coisas simplesmente que são, não têm uma explicação racional e objectiva. Poderia continuar a dizer-te que ainda sinto o que tantas vezes te segredei, nunca o disse em voz alta, temia que alguém ouvisse e esse segredo deixasse de ser só nosso, Não queria ver os teus olhos por isso sempre o disse sussurrando no teu ouvido, percebendo a tua reacção pela respiração alterada. Mas tu sabes tudo isso, sempre preferimos presumir que dizer. Ontem saí mais cedo, não sei se reparaste. E voltei um pouco mais tarde. Passei pela baixa, trouxe o teu jantar preferido, jantámos calmamente, como sempre. Reparaste que não bebi vinho? A sobremesa foi fruta, queijo e café que não bebi. E entre cada dentada, entre cada prato, procurava as palavras e o momento certo. Sempre achámos que nos sabiamos ler. Que tudo o que fosse importante seria sentido, sem ter que se dizer. Acabei por não dizer nada. Mas há momentos na vida, que devem ser partilhados. Alegrias que não se devem negar. E sei que não aguentaria partir de novo, depois de ver o teu olhar.
Levo o teu filho comigo, nesta viagem.
Tens um saco pronto no roupeiro, e a passagem. Espero-te em Paris, para comemorar.
 
O mundo parara naquele exacto momento. Comemorar? Paris? Recorda-se de ter visto um saco, correu ao sótão, guardara tudo que era dos dois lá, dias depois, o saco... remexia tudo, causando um caos, o saco...mas onde raio ele tinha metido o sacana do saco, era azul...recorda-se, Sobe ao escadote, talvez esteja em cima do velho roupeiro de mogno, encontra o saco. Nunca o tinha aberto, pensara que ela o tinha preparado  para ela. E o tinha esquecido. Pensara que nunca fora tão distraída, lembra-se de ter pensado isso. O fecho está preso. Maldito saco! Rasga-o sem cuidado e cai-lhe no colo um bilhete de avião, já amarelado. Um envelope selado com um beijo. E assim fica, prostrado, no chão poeirento do sótão, onde não chega o sol, e chora, chora amargas lágrimas de sal, por um amor que não sabia ter, por um filho, um filho...os olhos dela, a mágoa profunda...ele viu frieza. E nunca percebera, nunca até então, porque tinha saído sem levar nada. Como se voltasse amanhã, como se o mundo não tivesse parado, como se....lembrou-se de outro livro em cima da cama, lembrou-se do vento a entrar pela janela, do bilhete que dizia "Eu também não voltarei."
 
Lembrou-se de terem feito planos de irem para Paris, dela esperar que tudo fosse diferente, dela não querer ir, das conversas que tinham tido, de ser impossível os dois...Como ela pode ir ...um filho.. e continua a ler a carta:
 
Deixo-te o número do hotel em que ficarei, queria que sentisses segurança nesta minha decisão, é mais um jogo meu amor, eu vou primeiro... tenho algo mais a dizer-te, sempre duvidei do que sentíamos, era como se fosse bom demais, que se subvertesse numa rotina. Tu sempre afirmaste que não querias...
Fica nas tuas mãos. Espero-te até ter que voltar.
O bilhete não tem data, podes sempre embarcar. Estamos ambos bem, não te cheguei a contar. Tenho a certeza que é menino, já tenho nome para lhe dar. Se as coisas importantes se sentem, se tudo o que temos é tão estranhamente real, espero-te calmamente em Paris, onde conversaremos com silêncios e palavras. Nunca pensei que assim fosse, mas é como ter-te em mim, como estarmos fundidos, distantes e no entanto, ter-te sempre comigo.
 
A carta sem dia de calendário... imaginou que a leria nesse mesmo dia, não podia saber...não podia saber que de todos os livros que ela comprava, ele nunca lia nenhum.
Dobrou cuidadosamente o coração-origami, guardou-o e voltou a fechar o livro...
Olhava em frente sem nada ver, tinha passado tanto tempo mas tanto... não a procurara, sempre combinaram deixarem-se livres, e quando um quisesse partir o outro não insistiria. Recorda que essa solene combinação chegara naquele dia que tiveram uma violenta discussão por algo que nunca ficou esclarecido. Abriram a porta, Ele não ouvia nada, mas sabia quem vinha lá. Tinham passado dez anos, dez anos em que não lhe chegara uma palavra, uma recriminação, Agora ele ia sair finalmente daquela casa cheia de memórias, cheiros guardados, livros e livros oferecidos por ela, bilhetes e ... ele ja nem sabia que mais. Sentira tantas saudades.
Ouve passos, esquecera a porta aberta, a empresa de mudanças estava a chegar. Carregaram tudo. Excepto o livro de capa vermelha, que levava na mão quando puxou a porta para a fechar. Saiu disparado. Sem um último olhar. A casa dos pais dela! Como é que não se tinha lembrado antes! Os pais dela! Atravessou a estrada sem parar, atravessou sem olhar, não viu o camião a dar a volta... fechou os olhos sobre páginas soltas e um coração de origami a voar.

 

 

Amar intensamente é como a vida, tudo se transforma em pó...

.

.

Escrito por Ki e Gata

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