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Lazy Cat

No meu cérebro vive um caos sinfónico de ideias desordenadas. Num harém simbólico, todas concorrem -APENAS- pelo teu olhar deslumbrado...

Lazy Cat

No meu cérebro vive um caos sinfónico de ideias desordenadas. Num harém simbólico, todas concorrem -APENAS- pelo teu olhar deslumbrado...

Existem dias assim

Fevereiro 07, 2008

 

Porque é tão mais fácil deixar-se cair, porque nos atrai e não lhe queremos resistir porque depois de tocar no fundo não se pode descer mais e não há batalhas lutas ou guerras que nos façam procurar cais. Porque no fundo o abismo é reconfortante, como uma doce loucura que nos embala, que nos abraça e aperta e nos enlaça em memórias de certeza incerta e em ritmos de melancolia, a que o tempo lá fora responde e se alia. 

 

Existem dias assim, em crescendo no tempo, que nos fazem sentir insignificantes e pequenos em face de nós próprios, em que nos julgamos sem atenuantes e nos condenamos sem dó. E assim ocupamos todos os lugares vazios com fragmentos de histórias, de memórias, com restos de fotografias, tiradas a um futuro sonhado a cores que se fundem, e se transformam agora em imagens que confundem.

 

E nesta profunda desordem, fechamos a porta, para que não se veja que a vida vai torta, que o sol já não chega para secar os estragos e aquecer vontades e vivemos dias sem fim com demasiadas horas para o que sobra de nós e apenas querendo chegar ao fim, daquele hora, daquele dia, daquele lugar e daquela história. Fechar os olhos e adormecer. Deixar de saber. Deixar de querer e de recordar. Evitar sonhar.

 

E repousamos, no fundo desse abismo infinito, entre dias que passam e  vozes que gritam. E nestes dias em que nos pedem e roubam muito mais do que temos em nós, voltamos a sentir-nos vazios e sós. Vazios. Sentir. Voltamos a sentir. Primeiro um raio de sol. Depois as gotas de chuva. Entre vagas repetidas e correntes de espinhos, voltamos ao caminho. A uma mão que se estende, nos aperta e nos puxa, nos senta no alpendre, de cara para a vida, como um filme que passa, numa tela longínqua, desfocada, mas brilhante e convidativa…e estamos a um passo.

 

A um passo de viver ou deixar-nos levar pela vida.

 

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